terça-feira, 8 de dezembro de 2009

"IMAGEM E SEMELHANÇA DE DEUS"

Tudo o que há em mim, há em Deus.
A diferença é que Deus tem todas as respostas
E eu tenho as perguntas.
Talvez, por isso a morte é a plenitude.

Pode ser que, depois da morte, haja um Deus
Que dê as respostas à quem perguntar

Mas, ainda, se a morte for o que proponho - o silêncio-
A plenitude será alcansada da mesma forma
-Não no sentido de receber respostas-
Mas no sentido de não fazer mais perguntas

Não fazer perguntas?
Que plenitude é essa?

-Minha cara, dúvidas e sensação de plenitude são ânsias humanas.
Quando a morte beija a face do humano, o humano já não é humano,
Torna-se o silêncio.

Silêncio das respostas, enquanto se vive.
E silêncio na morte enquanto perguntas ausentes.

Angustia de um estudante

Ser cognitivo?
Não ser cognitivo!
Ser dialético?
Não ser dialético!
E a fenomenologia ontológica?
É tão difícil! Tantas idéias...
Que se confrontam tão alto que desemboca um efeito de surdez em algumas pessoas
Que posso eu mera mortal, que à partir dessas ideias que se confrontam,
eu, construir a minha?
Perfeitamente, colher elementos e ideais das árvores dos mestres
Mas aqui na nossa pequenez já é difícil subir até o olimpo,
Quem dirá construí-lo, à partir da contradição,
à partir da análise desta contradição!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Morte

A mente.
A consciencia.
O psique.
O espiríto.
O ego.
O inconsciente.
A vida.
A morte.
A poesia.
O vinho.
O violão.
A lua.
O campo.
O lago.
Ausencia de pessoas.
Ausencia de discernimentos.

Os pensamentos.
A mente.
Os fantasmas...

Esvaimento de sangue.

A cortina vermelha

A cortina coloria o quarto
O quarto triste e quieto que era,
Só tinha a cortina de feliz.
Era meio manchada com a cor vermelha que vidava o ambiente

O quarto era branco.
Todas cores, equivalendo à nenhuma cor.
Sentimento de ausencia de cores.

A menina via o violão no canto da parede, a cama no outro,
Tudo era branco... Exceto a cortina!
Não havia guarda-roupa, música, quadro,
mas a menina não se sentia vazia.

Aquela brancura talvez fosse a busca de paz que ela tanto queria...
Mas os amiguinhos, mesmo ela trancanda no quarto, íam visitá-la.
Conversavam e ela se sentia bem, eles traziam as cores que ali estavam ausentes
Mas sempre no auge da conversa,
Alguém entrava no quarto e a dopava.
Por vezes renegava tomar aquilo,
Consequentemente, amarravam-na com uma blusa toda branca.

Ela sentia que queriam branquear sua vida, seus sonhos,
Sufocavam-na com essa cor o tempo todo.
Mas graças aos amiguinhos, a cortina sempre estava com tinta vermelha.

Até que um dia a mancha invadiu a cortina,
E enxarcou-a por inteiro.
Foi o dia que o quarto ficou mais lindo!
Mas também o último dia dela.

A menina louca

A menina vai morrer... vai morrer!
A menina louca, louquinha,
Foi internada.
Todos sabem que ela vai morrer!

Ela faz muitas perguntas,
Não aceita o mundo, a vida como é.
Busca respostas nos livros,
Mas não há respostas!
Por que a vida é viver, e não um jogo de perguntas e respostas.

Mas ela não entendia isso.
As perguntas eram tantas que não cabiam em sua cabeça
Devoravam-na... Os ouvidos, a boca, o peito, o coração, a alma...
Devoravam-na por inteira.

A menina louca, morreu de perguntas.

Esperança

A menina que escrevia poemas
Saiu a rua em direção a lápida
Fazia tempo que não escrevia
Jazia na solidão mordaz da sua alma
Solidão para os ditos racionais
Realmente ela era sozinha
Vivia naquela casa abandonada no campo azul

Mas não era o que ela sentia.
Não era o que ela via.
Não era o que ela ouvia!

A doce menina que escrevia poesia era pertubada! hahahaha pertubada...
Os bichinhos vinham falar com ela: Any... Any...
E sussurravam, sussurravam... Como eram lindos!
Eles a espionavam...
E ela sempre em sentido de alerta esperando que algo acontecesse...Mas nunca nada acontecia.

A menina ficava encolhida no canto da sala
Escutando os batuques, escutando os berros dos escravos...
A menina não podia fazer nada!
Por vezes sentia vontade de cortar os pulsos...
Para matar sua sede, sede de ver seu sangue, sede de sentir dor.

Por vezes sentia vontade de suicidar-se para que o mundo paralelo lhe fosse entregue totalmente,
Mas esta noite ela sentiu o desejo de ver olado escuro da lua
Subiu até o santuário
Admirou o epitáfio com a descrição:
"Any aos 14 anos, falece de aberração mental"

A menina com os olhos oblícuos e pesados pela estranhesa do momento
Desvaira em prantos
Até que o menino aparece, beija-lhe a mão e diz:
"Calma, que talvez eu possa te ajudar"
E foram as duas crianças com desejo incansável e insaciável de encontrar o caminho das flores.

Mocidade

Aquela moça que já não tinha pensamentos claros
Recebe por dádiva a habilidade de escutar vozes
Quando em seu leito repousava
Aparece um velho na janela e ri e desvanece-se
A menina pensa e nada
Ela vê um vulto, confere,
Não há ninguém.
Coloca um cd vindo de longe
Escuta, se identifica
Mais as músicas, as músicas,
Não saem da sua cabeça
A pertubam...!
Ela quer escutar o tempo e ninguém pode dizer que não
A moça sempre escuta uma menina de cabelos lisos com chiquinha...
A moça sempre acha que os gnomos vão aparecer...
As vozes orbitam pelos pensamentos inacabados.